Si no preguntenle a los ejecutivos de Cisco:
Polícia Federal prende presidente e fundador da Cisco no Brasil
| 16.10.2007 | 18h01
Executivos são acusados de envolvimento em esquema de fraudes na importação de produtos para reduzir o pagamento de impostos
EXAME A Polícia Federal cumpriu 40 mandados de prisão temporária contra suspeitos de envolvimento em esquema de fraudes na importação de produtos de telecomunicações. A PF informou que o esquema teria sido montado para beneficiar uma multinacional americana líder em serviços e equipamentos de alta tecnologia para redes de internet e telecomunicações. O Portal EXAME apurou que essa empresa é a Cisco Systems e que quatro de seus principais executivos foram presos: Pedro Ripper (presidente), Carlos Carnevali (fundador da Cisco no Brasil e ex-presidente na América Latina), Carlos Carnevali Jr. (gerente para desenvolvimento de negócios na América Latina) e Marco Sena (diretor de canais).
Membros da diretoria da Mude, uma distribuidora de produtos da Cisco, também foram presos. Entre eles, estão Moacir Sampaio (sócio da Mude) e Fernando Grecco (diretor de marketing). Além disso, foram detidos seis auditores da Receita Federal suspeitos de facilitar a fraude. A PF pediu ainda ao governo dos Estados Unidos que prenda outras cinco pessoas em território americano. Entre essas pessoas também há funcionários brasileiros da Cisco.
A companhia americana é uma das maiores empresas de tecnologia do mundo. Com um faturamento de 35 bilhões de dólares estimado para este ano e um valor de mercado de 197 bilhões de dólares, a empresa, que tem sede em San Jose, no Vale do Silício, é uma das maiores histórias de sucesso da indústria tecnológica nos últimos dez anos. Seu crescimento acompanhou a explosão mundial da internet a partir de meados dos anos 90. A empresa fabrica roteadores, os equipamentos que fazem as conexões entre os computadores ligados à internet. Também é dona da marca Linksys, uma marca popular de roteadores sem fio usados em redes domésticas Wi-fi.
Cerca de 650 agentes da PF, Receita Federal e Ministério Público Federal foram mobilizados pela operação, batizada de Persona. As investigações já duravam dois anos, e mandados de prisão e de busca e apreensão foram cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. A Polícia Federal afirma ter obtido indícios de descaminho, ocultação de patrimônio, sonegação fiscal, falsidade ideológico, uso de documentos falsos, evasão de divisas e corrupção ativa e passiva.
Os envolvidos na fraude supostamente solicitavam produtos à Cisco por meio de empresas com sedes em paraísos fiscais (como Panamá, Bahamas e Ilhas Virgens Britânicas). O real importador do bem não aparecia. Com a utilização de notas fiscais falsas, os bens importados eram subfaturados, reduzindo o valor dos impostos recolhidos. No esquema de importação haveria dirigentes brasileiros da Cisco e de sua distribuidora em São Paulo, a Mude, que conseguiam abastecer o mercado nacional com seus produtos sem industrializá-los e sem participar formalmente de qualquer processo de importação.
Segundo a PF, nos últimos cinco anos, o grupo teria importado de maneira fraudulenta produtos no valor de cerca de US$ 500 milhões, o que autuações fiscais de R$ 1, 5 bilhão. Procurada, a assessoria de imprensa da Cisco informou não ter informações sobre o suposto esquema de fraudes e sobre a prisão de seus executivos. Afirmou também que está cooperando com as autoridades brasileiras. As ações da Cisco negociadas em Nova York fecharam em queda de 1,52% no pregão da Nasdaq, mas apontavam para uma ligeira recuperação no after-market.